sábado, 23 de novembro de 2013

Ânsia

Eu quero vomitar
Não só o que bebi
Eu quero vomitar
O que guardo dentro de mim

Porque dói o estomago
E a cabeça também
E porque não cabe mais nada aqui

Eu quero vomitar
O que embarga a minha garganta
Eu quero vomitar
O que eu não consigo engolir.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Senhor Ninguém

O ébrio, alucinado, dá um passo para frente e dois passos para trás sempre mais distante, sempre mais profundo andando descalço em uma trilha de pedras soltas trôpego, segurando a cabeça para que não caia sobre os pés cansados que o mantém de pé nunca sabe aonde pisa, nunca sabe aonde entra diz que não importa aonde vai chegar contanto que nunca chegue a lugar nenhum contando que nunca tenha que parar de caminhar não tem mais medo de pisar em pedras pontiagudas não sente mais a dor como sentia antes está anestesiado, está calejado...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O sonho

eu preciso contar do sonho que tive
do sonho que sonhei enquanto dormia
e do outro sonho que sonhei depois que acordei
também preciso falar deste sonho aqui - desse instante
o sonho do futuro - o presságio 
o sonho constante
o sonho que é viver
tudo não passa de um sonho
só paro quando morrer

'sonho, logo existo!'

E.T.

é tudo desarrumado
é tudo desconfiado
é tudo ao contrário
é tudo alucinado
é tudo sonho
é tudo meu
é tudo eu
é tudo
é tu
e t
é

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Oceano tormentório

eu sou as ondas!
que abate, que empurra
e arrasta pro fundo do mar.
eu sou o alto mar!
sou da natureza
sou a beleza – imensa
tsunami à devastar.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Meu mal

O mal estar que sinto
Que vem,
De todos os lados,
De todos os órgãos
De todos os tipos.

Dói a cabeça, inquieta
Que grita!

E depois desce
E passa pelos dentes
Rangentes, apertados.

Dói à barriga
O estômago queima.

E as mãos
Elas tremem
As pernas também

O coração tenta dizer
O que está errado e o que devo fazer
Mas ele não tem boca
Ele só sabe sentir, só sabe bater
Igual a mim.

sábado, 7 de setembro de 2013

Dia(s) de bruma.

por hoje,
eu desejo que não abram as cortinas
poupem, da luz, a minha retina

só hoje,
eu quero quebrar todos os espelhos desta casa
quero livrar meus olhos da imagem indesejada

apenas hoje,
eu quero ficar dormindo, passar o dia na cama
pra evitar as desilusões, os traumas - o drama.

hoje,
eu gostaria que meu hoje
não durasse tantos dias.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Meu (i)mundo incompleto

Inicio, meio e inicio de novo
E de novo, e de novo, e de novo...

Vida de recomeços
Vida de um terço.

Nada finda, nada muda e nada vinga.

Tudo que vem
Logo se vai

Tudo que hoje está
Amanha não estará mais.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Supre(Má)

O inacreditável
Porém, esperado
O fato, por fim, consumado 

Um caso
Mais que improvável.

Eu provei do doce amargo 
Sem medo, sem culpa 
Fui solta - uma puta.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

De que jeito?

Eu não dou um jeito
Também não levo
 Nem tenho

Vê se me dá um jeito
Ou me ensinar
Como ter

Mas de qualquer jeito
Mesmo se jeito eu tivesse
Eu perderia ao te ver.

Meu bem.

Deixa eu te pintar, te colorir
Vou te mostrar meu riso frouxo
E fazer você rir também

Deixa de medo de mim
Não precisa ser tão assim, sozinho
Pode me pegar, pode me levar contigo

Mas vem logo, vem como está
Você sabe que sou louca por você
E de tudo farei pra te ver bem

Bem feliz
Bem comigo
Bem perto de mim.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Coleções

Eu coleciono olhares
Olhares que comem
Olhares que desejam
Olhares que lampejam

Eu coleciono amores
Amores que amei
Amores que passou
Amores que nem soube

Eu coleciono amigos
Amigos embriagados
Amigos esquecidos
Amigos da pior estirpe

Eu coleciono dúvidas
Dúvidas futuras
Dúvidas passadas
Dúvidas eternas

Eu coleciono dores
Dores que inventei
Dores que provoquei
Dores que eu nem sei

Coleciono vícios
Coleciono porres
Coleciono quimeras
Coleciono decepções

Coleciono tudo que desejo
Tudo que me constrói e me destrói
Tudo que me faz triste e me faz feliz
Tudo que me faz chorar e me faz rir

Coleções que acumulo no esgoto da mente. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

M(eu) fardo

Eu sou assim
Meu próprio fardo pesado
Sou eu, a cruz que carrego

Não vou pra frente nem pra trás
Fico parada no mesmo lugar
Na minha zona de conforto

Fora de perigo
Fora de alcance
Fora de mim.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Talvez

Talvez eu seja uma santa
Talvez eu seja uma tola
Talvez eu seja uma vadia largada

Talvez você goste de mim
Talvez nem se importe
Talvez me ache uma barata alucinada

Talvez você não me entenda
Talvez nem queira entender
Talvez você goste de uma louca

Talvez na sexta a gente se encontre
Talvez no sábado, nós fiquemos juntos
Talvez domingo, ao te ver, eu lhe beije a boca

Talvez eu fuja de medo
Talvez eu fuja de covarde que sou
Talvez eu fique contigo até o amanhecer

Talvez possamos fugir juntos
Talvez vá cada um pr’um lado
Talvez eu chore arrependida por deixar-me te perder.

sábado, 27 de julho de 2013

Imersão

Eu mergulho e encosto no chão, teu
F-indo fundo, sinto(-te)
Intensamente.

Nossos (i)mundos se chocam
Nossos corações se (de)batem
Peito a peito, disritmadamente.

É tudo muito forte, intenso
MÁ-GICO!
Porém, muito breve.

Logo volto para superfície
Sôfrega, fatídica, solitária... 
E não te trago comigo (nunca).

Não tenho muito que lhe oferecer
Não tenho muito que lhe dizer
Mas posso dar-me inteira a ti.

Não lhe culpo se preferir ficar
E morrer aos poucos, sozinho.
Em vez de morrer em mim, comigo.

Então, fique ai no chão, sufocado
Preso em suas correntes imaginárias
Amarrado em sua ancora de (des)ilusões.

E, quanto a mim... Você sabe... Eu volto.
Afundo em ti e perco meu ar outra vez
Na esperança de te ter um pouco mais.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Minha prisão.

Estou voando livre
Dentro de uma gaiola espaçosa
Assoviando alto como um passarinho

Todos podem ouvir minha musica
Mas poucos podem compreendê-la

Muitos não conseguem ouvir os gritos de dor
Contido nos agudos dos assovios

Quem foi que disse que só se canta
Quando se está feliz?

Ter asas não importa muito quando se está preso
Ter asas não importa muito se você não puder voar
Ter asas nunca foi sinônimo de liberdade.

Sou prisioneira dos meus sentimentos
Sou prisioneira das minhas incertezas
Sou prisioneira da minha insegurança
Sou prisioneira dos meus hábitos
Sou prisioneira do meu corpo
Sou prisioneira de mim

domingo, 14 de julho de 2013

Você

VOCÊ
Meu desassossego
Minha deliciosa obsessão
Meu lindo devaneio

VOCÊ
Que rouba minha voz
Só de olhar seus lindos olhos
Olhos castanhos, que eu amo

VOCÊ
Sabe que eu poderia passar horas
Apenas te contemplando
Embevecidamente
VOCÊ
Finge que não vê
Que eu estou aqui só por você
Só pra você

VOCÊ
Me enche de dúvidas
Deixa-me a teus pés
E vai embora

VOCÊ
Me descompõe
E eu componho pra você
Você, você, você, você...

terça-feira, 2 de julho de 2013

Puta vagabunda

Descubra esse corpo, deixa de doce
Beba um pouco do amargo.
Grite bem alto, quem tu és.

Sim, sim, sim, sou também.
Uma puta e vagabunda
Sem rumo e sem prumo!

Tire toda sua roupa
Fique nua de uma vez
Solte toda sua devassidade.

Mostre esses peitos, essa bunda e essa boceta
Mostre pra quem pagar
Ou pra quem você queira mostrar

Beba uma, beba duas, beba mais
Beba todas, encha a cara.
Caia no chão, durma na calçada.

Dê risada, dance e transe o quando quiser
Sem pudores, sem rancores.
A puta mais livre, a vagabunda mais solta.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Amor(a)

Você não vê a hora, Amora
De sentir o aroma
De ficar perto
Do amado
Amor.

Pobre, Amorinha
Diz que não, mas sei
Que se sente sozinha
Assim como eu.

Mas não chore, meu bem
Há alguém a tua espera
Em algum canto, pode apostar.
Apenas tente ver além
Do que a luz dos seus olhos pode alcançar.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Começo, fim e meio.

Então,
Assimile tudo
Assuma tudo
Sem sumir, sem fugir.
Não pule, não corra
Nem pense em partir
Dê a cara pra bater.

Vem, dissimulada!
Vem, (vi)ver!
Morrendo aos poucos
Sem ressentimentos
Esqueça sua paz
Vem comigo
Ou volte pra trás.

Queimamos a largada
Saímos do ponto de partida
Tomamos nossa própria estrada
Sem temer o porvir
Afinal, já sabemos que
Não há pódio de chegada
Muito menos prêmio de consolação.

Gastronomerdice

Estou frita, assada e cozida.
Estou pega, fui pega.
Mas não sou fácil.
E nem comida.

domingo, 23 de junho de 2013

Desabafo de uma bêbada numa madrugada eterna

5 da manhã
O sono fugiu de mim
Fiquei acordada comigo
Bebendo água de ressaca
Pensando em não pensar tanto
Pensando em não beber depressa
Para não perder o controle tão rápido.

Dias alcoólicos
Cocktais de loucura
Noites eternamente opacas
E cheias de lembranças pela metade

Desejando não desejar
Querendo e podendo ter
O proibido e instigador
O ilícito me conveio.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Contagem regressiva

Penso em minha vida como num rolo de filme
Posso me ver, uma velha do futuro
Olhando para trás
Com saudade
De quem
Era

Eu
Não vivo
Feliz e tranquila
Sabendo que vou envelhecer
Eu corro – parada – contra o tempo
Contagem regressiva até a morte desde o nascer

Eu gosto de você

Eu gosto de você
Mas eu gosto mais do meu gato
Meu gato eu posso acariciar quando quiser
Abraçar-te, eu não posso não.

Eu gosto de você
Mas eu gosto mais de dançar
Dançar eu posso quando sentir vontade
Beijar-te, eu não posso não.

Eu gosto de você
Mas eu gosto mais de ouvir musica
Musica eu posso ouvir a todo o momento
Ter – sempre - você, eu não posso não.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Temor

Eu perdi o medo
De andar sozinha na rua escura
Eu perdi o medo
Do bandido na madrugada

Eu perdi o medo
Do quinto dos infernos
Eu perdi o medo
De ficar sem nada

Eu perdi o medo
De não chegar ao topo
Eu perdi o medo
De ficar perdida na estrada

Eu perdi o medo
De não encontrar o amor
Eu perdi o medo
De viver sozinha, largada.

Eu perdi o medo 
Da vida e também o medo da morte
Agora eu temo 
Não temer mais nada.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Não me acorde

Me deixa, me deixa, me deixa aqui
Eu não quero levantar, não me acorde.
Eu não quero acordar!
Não para esta vida, não assim
Do jeito que estou, do jeito como tudo ficou.

Quando foi que escureceu e o gélido céu caiu?
Foi tão rápido, que quando me dei conta
Já estava sobre mim...
Um frio que gelou todo o meu corpo
Que sempre foi quente.

Mas me conta, já que me acordou
O que aconteceu? O que eu perdi?
Além dos porres que deixei de tomar
Além dos erros que não cometi
E das angústias que não sofri...

Me diz?

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Solitária(mente)

Mente barulhenta
O corpo já não
Reage mais
E da boca
Nada sai
Em volta
Tem gente
Mas a solidão 
É a companhia 
Pra onde eu vou
Ela também vai...

23-05-13 - She's lost control.

Ela pulou - Se jogou – Caiu...

Avistou o abismo que havia a sua frente e foi.
Encontrou-se, sem saídas. 
Acuada!
Perdida, quis sumir, 
De todos, de vez, de medo.
Foi corajosa?
Ou foi uma covarde?
Ela teve coragem
Mas foi uma tremenda covardona!!
É covardia não querer viver.
O que sentiu?
O que será passou pela sua cabeça?
Uma dor reprimida de anos,
Uma angústia,
A mais completa solidão.
Um ser, incompreendido
Cansado de tudo, de todos,
Da vida que levava – que leva.
Mas foi, sem medo
Ou com muito medo
E sem escolhas – achava ela.
Sem refúgio algum
Sem Deus.
Mas ela conhece Deus?
Que Deus?
Qual Deus?
Ela não pensou em ninguém
Não pensou em nada
Ou pensou em tudo
De uma vez só...
Acho que isso deu mais coragem,
Ou a encheu de medo.
Coitadinha, sozinha.
Ela se viu sem ninguém
Mas tinha alguém
Ou eu não sou ninguém?
Não pensou em mim...
“Só tem ninguém quando eu preciso de alguém”
Será que foi o que pensou?
Enfim, criou “coragem” e pulou – se jogou – caiu.
Ela foi
Ela quis ir
Ela escolheu por fazer
Mas não se foi
Felizmente, pra mim.
Mas e pra ela?
O que se passa em sua cabeça agora
Depois do (mal)feito
O que será?


terça-feira, 7 de maio de 2013

(ego)ísta


Estou no meio do fogo cruzado
Dentro do mar arredio
Estou na ventania 

No centro da desordem
No circo em chamas
Olhando a dor alheia

Mas eu não sinto nada
Nem dó
E nem piedade

Estou dentro da bolha
Da minha bolha
De estranhas euforias

Será egoísmo meu
Em meio ao caos
Esbanjar felicidade?

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Pra você eu digo sim

Eu te deixo sentar ao meu lado
Acariciar meu rosto
Beijar minha boca

Eu te deixo abraçar-me forte
Pegar-me pela cintura
Mergulhar seus olhos nos meus 

Eu te deixo cheirar meus cabelos
Tocar minhas mãos
Arrepiar-me os pelos

Eu posso fazer o mesmo por você
Se você quiser
Se você também disser que sim...

http://www.youtube.com/watch?v=lH73fpcYRSI

domingo, 28 de abril de 2013

Ca(fé) no amor


Em meus devaneios
Seus afagos
Em minha boca
Só mais tragos

Mais um café
Por favor
Mais uma dose
Do seu amor.

Andar por aí, bar em bar..


Aqui estou novamente
Com o copo cheio
E alma vazia
Cigarro nos lábios
Só pra ver a fumaça voar
Um brinde aos amigos
Corrompidos
Numa espelunca pútrida
Ou numa aconchegante mesa de bar

Doce sonho, ou um lindo pesadelo?


Eu sonhei um sonho que  havia sonhado antes de dormir
Eu dormi sentindo o que não queria sentir
Acordei achando que aquilo que vivi foi um sonho
Que eu deixei dormir.

"Os sonhos desenterram sentimentos mortos.
Ou será que nós os enterramos vivos?"